Fotografia e costura se entrelaçam em projeto desenvolvido em Passira (PE)

Projeto surge da troca de saberes entre mulheres - Créditos: Raul Luna
Projeto surge da troca de saberes entre mulheres / Raul Luna

É a partir da troca de saberes entre mulheres que surge o projeto “Bordando o feminino”, idealizado pela artista visual pernambucana Lais Domingues. A proposta é construir um diálogo, ao longo do segundo semestre de 2018, entre dois fazeres manuais – a fotografia e o bordado. Desenvolvido no município de Passira, no Agreste de Pernambuco, o intercâmbio se dará através de uma residência vivenciada na Associação das Mulheres Artesãs de Passira (AMAP), que atua com mais de 40 mulheres, todas bordadeiras e que vivem do seu trabalho.

“Esse projeto é como uma reafirmação de toda a transformação que venho vivendo desde que descobri o universo têxtil, há três anos. Não estou aprendendo apenas a bordar, estou descobrindo como se vive desse ofício e como o bordado e a costura podem transformar a realidade de várias mulheres”, conta Lais. Ao longo de quatro meses, a artista visual receberá aulas de bordado na AMAP, com a facilitadora Luzinete Maria da Silva e, em contrapartida, as trabalhadoras receberão oficinas de tingimento natural de tecido e de desenvolvimento criativo para a confecção de uma coleção própria.

Para conduzir essa troca, Lais convidou a estilista Thanina Godinho, de São Paulo. “Juntas estamos acessando as memórias das mulheres do grupo, suas histórias, que são cheias de significados. Além de despertar energia criativa, o projeto tem o objetivo de ajudar a potencializar a autonomia dessas mulheres, utilizando o fazer com as mãos como ferramenta para o crescimento da economia da comunidade”, explica Thanina.

A culminância do projeto se dará tanto em Passira quanto no Recife, com uma exposição de fotos (que receberão a aplicação de bordados) e vídeos com registros de todo o processo, além das cerca de 40 peças que serão desenvolvidas para a coleção, buscando resgatar a identidade do território dessas mulheres. “Como fio condutor do trabalho pensamos na identidade deste território, ou seja, na significação do feminino como alma, situando-as no tempo e no espaço, e relacionando o passado com relação ao presente”, conta.

A Associação de Mulheres Artesãs de Passira (AMAP) iniciou seus trabalhos em 2007, quando as artesãs do município sentiram a necessidade de se reunir em torno de uma sociedade civil para estimular, congregar e encontrar soluções para problemas socioeconômicos dos associados, além de promover o intercâmbio e experiências profissionais, representando a classe junto aos órgãos governamentais e privados. É constituída por cerca de 40 mulheres de idades variadas que, organizadas em cooperativa, participam de feiras, realizam formações e produzem coleções de vestuário feminino, comercializando seu trabalho através de vendas online e eventos.

Edição: Catarina de Angola

Brasil de Fato

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