Como a crise econômica impacta a vida da juventude?

Juliane Furno

Por Juliane Furno

O Brasil vem enfrentando a maior crise econômica da sua história. A queda do Produto Interno Bruto por dois anos consecutivos impacta nossas vidas no que tange ao aumento do desemprego, queda dos investimentos, diminuição do rendimento médio das famílias, entre outras dimensões econômicas.

A política econômica adotada pela equipe do governo golpista de Michel Temer tem nos levado ladeira abaixo. O governo tem compreendido as causas da atual crise econômica como de crescimento exagerado do gasto público. Nessa perspectiva, o remédio do corte drástico da despesa primária, ou seja, de tudo o que é orçamento do governo que não vai para honrar as obrigações financeiras, é amargo e profundamente ineficiente, o que agrava ainda mais o quadro do paciente.

A atual crise brasileira tem a ver com a queda da receita. Cortar gastos em uma economia em crise só contribui para que a receita caia ainda mais! Em momento de crise – em que nem as famílias e nem as empresas tem condições de se endividar – apenas o Estado teria condições de fazer uma política “anticíclica” garantindo os níveis de renda interna, assim preservando empregos e investimento.

Neste cenário, os trabalhadores são os mais afetados. Dentro da classe trabalhadora – que não é homogênea – podemos afirmar seguramente que mulheres, negros e jovens ficam ainda mais vulneráveis às crises e às políticas de “austeridade”, como corte de gastos públicos e arrochos salariais. Nessa reflexão falaremos somente da juventude.

a) Uma das principais características das crises são o aumento expressivo do desemprego. Nesse contexto os jovens sempre são mais afetados. Atualmente a taxa de desemprego entre jovens de até 29 anos está em 28% (PNAD Contínua IBGE 2017). Isso quer dizer que a cada quatro jovens, um está desempregado;

b) Esse crescimento do desemprego entre a juventude não é explicado somente pela contração e fechamento de postos de trabalho. O percentual de jovens desempregados antes da crise era muito menor porque grande parte deles não estava procurando emprego. Ocorre que com a crise, aquela família que conseguia manter um filho estudando por mais tempo já não consegue mais – ou porque tem algum membro desempregado ou porque caiu muito a renda familiar. Assim, esse jovem começa a pressionar a taxa de desemprego, o que é ruim para a economia nacional, mas muito pior para aquele jovem que podia só estudar e assim concorrer com melhores condições a uma vaga nas universidades ou mesmo a um emprego melhor qualificado;

c) O rotatividade também é maior entre os jovens. Isso quer dizer que nós jovens somos os primeiros a sermos demitidos em momentos de aperto financeiro;

d) As políticas de cortes de gastos, a exemplo a Emenda Constitucional (EC) 95, impacta – sobretudo – as possibilidade de futuro dos jovens, na medida em que congela os gastos em educação, que é uma política que acompanha a juventude por quase todo seu desenvolvimento;

e) Além disso, cortes em outras políticas públicas que tendem a se intensificar em momentos de crise – a exemplo da extinção do Passe Livre para estudantes na cidade de São Paulo – prejudicam as formas de estudo e lazer, principalmente da juventude das periferias.

Esses são apenas alguns exemplos que ajudam a compreender que as crises econômicas e suas políticas neoliberais de resolução no curto prazo, tem impactos sociais permanentes, contribuindo para frustrar um dos principais sonhos da juventude, que expressa-se na perspectiva de um futuro melhor.

Se esses problemas são coletivos, restam-nos saídas também coletivas, que passam pela organização social dos jovens e a defesa de um outro projeto de nação!

Juliane Furno é doutoranda em Desenvolvimento Econômico na Unicamp e militante do Levante Popular da Juventude

Edição: Daniela Stefano

Brasil de Fato 

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